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Reportagem ‘Meninos do Tráfico’ traz o bicampeonato para casa

Reportagem ‘Meninos do Tráfico’ traz o bicampeonato para casa

A reportagem ‘Meninos do Tráfico’, deste OPINIÃO, foi a grande vencedora do 7º Prêmio de Jornalismo do Ministério Público do Estado do Acre, o MPAC, na noite desta sexta-feira, 24.

O material, assinado pelo jornalista Resley Saab para o site OPINIAO.NET, revelou o aliciamento cada vez mais constante de jovens dependentes químicos pelo crime organizado, e o que o Núcleo de Apoio ao Atendimento Psicossocial em Dependência Química, o Natera, do MPAC, vem fazendo para amparar as vítimas das drogas e suas famílias.

Pela segunda vez consecutiva, OPINIÃO levou o grande prêmio do MPAC. Em 2016, a reportagem ‘Missão Gaecco – Soldados invisíveis nos bastidores do crime’, escrita também por Resley Saab no jornal impresso, levou o primeiro lugar do prêmio, ao abordar o trabalho do serviço de inteligência do Parquet acreano, com relação aos ataques criminosos no estado, de outubro de 2015.

Para o diretor geral, Acrevenos Espíndola, mais essa conquista só ratifica a vocação do OPINIÃO para grandes reportagens.

“A seriedade com que cada um de nossos repórteres encara o trabalho jornalístico desenvolvido no nosso Jornal faz com que obtenhamos uma resposta positiva em eventos de valorização da imprensa, como é o do Ministério Público”, afirma Espíndola.

Resley Saab recebeu o troféu de primeiro lugar das mãos do procurador-geral Oswaldo D’Albuquerque.

Em segundo lugar, ficou a jornalista Luciana Teixeira, da TV Gazeta em Cruzeiro do Sul, que concorreu com a reportagem ‘ Musicalizando pessoas com amor’. Ela foi representada pelo jornalista Gabriel Rotta, e recebeu o troféu que foi entregue pela corregedora-geral do MPAC, Kátia Rejane de Araújo Rodrigues.

Tião Maia, do Jornal Página 20, autor da reportagem ‘Justiça, antes tardia do que nunca’, ficou em terceiro lugar. O procurador Celso Jerônimo de Souza entregou a premiação para Roberta Lima, colunista social do jornal, que representou o jornalista.

Além deles, o jornalista Eduardo Gomes, TV Aldeia, recebeu menção honrosa pela reportagem ‘Acessibilidade’. O prêmio foi entregue pela procuradora de Justiça, Patrícia Rêgo.

A 7ª edição do Prêmio de Jornalismo do MPAC contou com a parceria do Banco do Brasil, Assembleia Legislativa do Acre, Associação dos Servidores do MPAC, Secretaria de Comunicação do Governo do Estado, Agência Rádio Web, além da colaboração da empresa Labnorte, Liderança Empresa de Serviços, Biau Som, Prefeitura de Rio Branco, Rabel Agência de Viagens e Turismo e o Espaço Cultural No Compasso da Dança.

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Tema deste ano foi ‘Transformando cidadania em notícia’

Em noite de festa, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) anunciou, na sexta-feira, 24, no hotel Villa Rio Branco, os vencedores da 7ª edição do Prêmio de Jornalismo. Foram premiados os autores das melhores matérias jornalísticas que retratam a atuação do Ministério Público acreano.

Com o tema ‘Transformando cidadania em notícia’, este ano, o Prêmio recebeu 120 trabalhos, entre os quais, foram escolhidos os três que mais se destacaram nas categorias Telejornalismo, Jornalismo Impresso, Radiojornalismo e Webjornalismo e Destaque Acadêmico para estudantes de Jornalismo.

“O Prêmio de Jornalismo do Ministério Público está em sua sétima edição. Nasceu em 2010, com a intenção de valorizar os trabalhos jornalísticos e inserir na pauta cotidiana da notícia o olhar jurídico, como uma das perspectivas para refletir sobre a realidade”, comentou o procurador-geral de Justiça Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto.

Em 2012, o Prêmio de Jornalismo do MPAC ganhou o primeiro lugar no 10º Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça, na categoria Relacionamento com a Mídia. Ainda em 2012, a iniciativa serviu como base para o 1º Prêmio de Jornalismo do Conselho Nacional dos Procuradores Gerais (CNPG).

Em 2017, o Prêmio recebeu inscrições de veículos de comunicação da capital e do interior do Acre, além do Amazonas e do Distrito Federal, totalizando 120 trabalhos apresentados.

A cerimônia

Conduzida pelos jornalistas Jocely Abreu, Rutemberg Crispim, Thiago Rogeh e pela apresentadora Sofia Brunetta, a solenidade começou com a exibição de um vídeo sobre a história da premiação, criada como uma estratégia para estimular, divulgar e prestigiar os trabalhos jornalísticos sobre a atuação do Ministério Público na defesa dos direitos do cidadão.

Além de membros, servidores, autoridades e profissionais de imprensa, a festa contou com dois convidados especiais: o experiente e premiado jornalista Fábio Gusmão, editor do Jornal Extra; e o cantor e sanfoneiro Waldonys Menezes, que veio do Ceará para animar o evento.

Ao saudar os presentes, o procurador-geral Oswaldo D’Albuquerque lembrou que mais do que premiar, era preciso refletir sobre o papel da imprensa.

“Platão, falecido em 348 a.C, já dizia que sem reflexão a vida não tem sentido. O que se pretende com o título “Transformando cidadania em notícia” é justamente alquimizar o estado de direito com a magia da notícia, o que Platão chamou de reflexo, daí o termo reflexão: olhar-se de fora para dentro e expor para fora aquilo que de dentro não se vê”, destacou. (Kelly Souza, da Agência de Notícias do MPAC)

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Procurador-geral do MPAC, Oswaldo D’Albuquerque; Natera tornou-se parte do Banco de Projetos do MP nacional

Prêmio entre mais de 400 iniciativas

Um dos grandes trunfos da atual gestão do procurador-geral do MPAC, Oswaldo D’Albuquerque Lima Neto, foi o Núcleo de Apoio ao Atendimento Psicossocial em Dependência Química, o Natera. No primeiro ano de sua formação, em 2013, o Núcleo foi premiado pelo Conselho Nacional do Ministério Público, quando concorria com as mais de 400 iniciativas de todos os ministérios públicos brasileiros.

“A grande satisfação do Ministério Público do Acre é o fato de que estamos alinhados com os objetivos do Planejamento Estratégico Nacional. Isso é fantástico, porque hoje o Natera faz parte do Banco de Projetos, que é uma ferramenta de compartilhamento de boas práticas do MP”, comemora Lima Neto. 

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Na periferia de Rio Branco, um contingente infanto-juvenil engrossa, todos os dias, as fileiras do crime, movido pelo tráfico de drogas. A fragilidade da família gera um câncer no seio da sociedade que só cresce com o constante aliciamento de crianças e adolescentes pelo crime organizado.

Felizmente, de dentro do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) um grupo de socorristas surge para auxiliar os que ainda têm esperança de serem salvos, oferecendo a graça da redução a danos físicos, mentais e sociais causados pela droga nesses indivíduos.

Nesta reportagem, saiba como pensam os jovens dependentes químicos recrutados por facções criminosas, e como o Núcleo de Apoio ao Atendimento Psicossocial em Dependência Química, o Natera, do MPAC, trabalha para reduzir o sofrimento de muitos dependentes e de seus familiares.

‘Se a família não ensina, o mundo vira escola’

A vendedora de salgados F. D. S. sempre trabalhou para manter o lar, na baixada da Sobral. E esse fardo era mais pesado por causa do marido alcoólatra, que nunca a ajudou na criação dos filhos. Não imaginava que mais tarde teria o coração dilacerado com a notícia do aliciamento do filho, de 13 anos, por uma facção criminosa.

Tomou conhecimento de que o menino, a quem chamaremos de André, tornou-se dependente químico aos 12. Mas não imaginava quão próximo ele estava dos bandidos, muito menos que a fúria do tráfico se levantaria contra a sua família.

André não ia mais à escola e se rebelava com facilidade. Alimentava o vício à custa de arrombamentos a patrimônios alheios. Os furtos, deixava na bocada.
E a ficha da mãe só caiu quando ele pulou o muro de casa fugindo de peia. Naquele dia, estava fadado a selar o próprio destino, e de quase todo usuário de drogas pobre: ter o rosto cravejado de balas.

Mas André teve sorte porque, dessa vez, a bronca era por ter arrombado uma casa. Nem por isso escapou de chutes no traseiro, socos nas costas e pontapés na cabeça que o fizeram desmaiar, mesmo diante das súplicas da mãe para que parassem.

“Se a família não ensina, o mundo vira escola”, ouviu dos indivíduos, a mãe. E as palavras martelaram a sua consciência.

O menino tornara-se fantoche da droga. Dois meses depois, já fora da escola, entrou para um grupo criminoso. E gabava-se de trabalhar diretamente com o chefe da boca, pois já não precisava roubar para consumir. Aceitou trabalho de ‘aviãozinho’ em troca de duas ou três trouxinhas de melado de cocaína por dia achava que era fácil. Era só fazer direitinho e nada lhe aconteceria. Pela proximidade com o líder, não era um qualquer. Entregava droga em casas longe da boca e também transportava dinheiro a outros mandatários do horror.

Por seus préstimos, continuava recebendo algumas trouxas de merla, a borra de coca – que contém de 40% a 70% da cocaína pura, e que geralmente é misturada a um cigarro comum, ou de maconha, antes de ser consumida.

Mas algo mudou drasticamente quando repassou dinheiro a pessoa errada. Assinara sua sentença de morte ao despachar grana da organização a um desconhecido. O patrão não acreditou na história. O menino pagaria com a vida os R$ 450 do calote que tomou, mas jamais imaginava que no ‘pacote da desgraça’ estava incluído a mãe e o pai ébrio.

A angústia o fez ter pressa a contar o plano de morte à mãe. Chegou atrasado. Dez minutos antes, a dona de casa recebia o telefonema agourento.

Dizia o indivíduo do outro lado da linha: “A senhora tem condições de comprar três caixões: um para o seu filho, um para você e outro para o seu marido?” Ela desligou antes do bandido terminar de falar, mas aquilo já era o bastante para atormentar sua cabeça.

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André teve seus sonhos ceifados temporariamente. O Natera o encontrou

André desapareceu dos criminosos. A mãe, não. Era digna demais para fugir sem dever. Pensou em ir se entender com o bando. Acabou optando por procurar a polícia. Enganou-se, ao esbarrar em gesto tão perverso quanto os atos deliberados dos criminosos. Teve a sua dor ignorada pela autoridade policial. Na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, ouviu que o caso do filho era para Conselho Tutelar.

E no Conselho, houve deboche: “Não temos nada a fazer. Por que a senhora não pede ao delegado pra levar seu filho pra casa? O delegado pode adotar o André”.

O tom jocoso do conselheiro só não foi pior do que o que fez o delegado, dias depois de a família ser amparada pelo Natera. O inquérito policial, que tramitava em segredo de justiça foi vazado para os advogados dos criminosos. Todo o conteúdo, inclusive as ameaças de morte, fora repassado com detalhes aos bandidos pelo delegado titular.

E foi aí que a mãe culpou-se. O remorso era de ter se descuidado da sua cria. Recordou-se do dia em que o menino teve um sonho. Ele contou-lhe que estava feliz porque se via adulto como bombeiro militar. Por isso, para a mãe, perturbava a ideia de que um dia visse seu menino num caixão, porque um dia não conseguiu criá-lo a ponto de fazê-lo homem de bem.

O relato que você acabou de ler é real. Tem como base os depoimentos em vídeo gravados pelo Ministério Público do Estado do Acre, (MPAC), por uma família que até pouco tempo era perseguida por membros de uma facção criminosa que atua na baixada da Sobral.

Hoje, André e a mãe vivem sob a proteção do Núcleo de Apoio ao Atendimento Psicossocial em Dependência Química, o Natera, cuja equipe é chefiada pela procuradora Patrícia Rego.

Eles foram resgatados pelos profissionais do MPAC numa tarde do segundo semestre de 2016.

Levados para abrigos públicos, seguem hoje em paz, em outra região da cidade. André voltou a estudar – embora ainda passe por tratamento para largar a dependência química –, e a mãe arranjou trabalho em casa de família.

“Hoje me sinto como se tivesse cometido um crime. É ruim viver no anonimato, sem minha casa anterior e sem meus amigos antigos. Até pouco tempo, a sensação era de que eu estava devendo alguma coisa. Mas vou me acostumando com minha nova morada”, diz a dona de casa em depoimentos dos quais OPINIÃO teve acesso com exclusividade.

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Procuradora Patrícia Rego à frente do Natera: experiência no combate ao crime

É preciso construir uma rede de proteção consistente

“Os moradores da periferia de Rio Branco são as maiores vítimas da violação de seus direitos” segundo afirma a procuradora Patrícia Rego, com a propriedade de quem combateu no front um ranço que por muitos anos assombrou boa parte da sociedade acreana: o terrível ‘esquadrão da morte’ do final da década de 1980.

Quando ainda promotora de Justiça – hoje coordenadora do Natera –, as ações de Rego contribuíram essencialmente para que o MPAC decretasse a derrocada do grupo de extermínio, supostamente liderado pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal.

Hoje, os tempos são outros. E para a procuradora, o trabalhador de baixa renda é o grande prejudicado pela subjugação de criminosos instalados em bairros em franca expansão populacional.

OPINIÃO constatou que no Acre, há um modelo representativo, embora ainda em menor escala, do tráfico das grandes cidades do sul e do sudeste do país.

São bairros controlados por lideranças criminosas que se alastram, não só na capital, mas também em municípios em regime de franca expansão desordenada como Epitaciolândia, Sena Madureira e Cruzeiro do Sul. O tráfico se assenta nesses bolsões de miséria sob a tutela de facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, indiferente ao poder estatal.

A fragilidade das leis aliada à letargia das instituições de Segurança Pública no combate ao crime de tráfico fez surgir um novo tipo de população, a que aprendeu a conviver com a subjugação dos criminosos. Ela é mais tolerante às atrocidades impostas pelas organizações criminosas, justamente por não ter quase nenhuma alternativa.

A falta de uma rede de proteção social consistente, que seja construída pela sociedade civil e pelo Poder Público, torna o crime mais forte nessas regiões periféricas.

E os operadores do Natera sabem que é preciso coordenar práticas em favor dos atingidos pela dependência química, e também por seus familiares, estes últimos, quase sempre afetados indiretamente.

Quando o estado sai de cena, o crime toma espaço, com consequências nefastas, sobretudo para crianças e adolescentes.

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Operação do Bope da PM contra facções em ; crianças e adolescentes convivem com criminosos e as ações policiais

Vida amargurada

OPINIÃO conversou com uma educadora de escola pública sob a condição do anonimato. O que ela revela é que a maior parte dos alunos vive uma adolescência amargurada, sem nenhuma expectativa de futuro, distante da família, e que encontra na violência a opção fácil de ganhar dinheiro, ainda que perigosa.

“Meus estudantes são carentes. Todos têm casa, mas muitos vivem sempre na rua. Alguns são filhos de mães solteiras. Outros são ‘adotados’ pelo tráfico. Tenho estudante que nunca larga a mochila das costas porque não quer ser pego com a droga que ele esconde e que vende aqui mesmo, na frente da escola para os outros coleguinhas: estes últimos são os dependentes. Esses, quase não vêm à aula”.

Para todo pedido de socorro, uma equipe pronta a socorrer

Se a desesperança tomou de conta de muitos, o contrário também vale para quem procura por socorro. Na Casa da Cidadania, onde funciona o Natera, uma equipe de especialistas formada por psicólogos e assistentes de diversas áreas faz do órgão o centro-nervoso para soluções de amparo às vítimas das drogas e também às suas famílias.

A dependência química é reconhecida como doença pelo Sistema Único de Saúde e merece a atenção como qualquer outra enfermidade na rede pública.
Mas na prática, quem sofre dela, ainda encontra dificuldade no atendimento primário, seja por preconceito, seja pela desinformação dos próprios trabalhadores em saúde. É aí que entra o Ministério Público.

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Explica a coordenadora administrativa, Josenira Oliveira, que quando há um doente por conta da dependência química, a família adoece com ele. Portanto, o que faz o MPAC, por meio do Natera, não é apenas cobrar um atendimento célere, mas possibilitar também a integração dos órgãos no auxílio às vítimas.

“O que fazemos é coordenar o socorro, oferecer apoio presencial às famílias e amenizar ou mesmo eliminar o sofrimento que a droga causa ao dependente e a seus familiares”, explica Oliveira.

Na prática, órgãos como o Centro de Atendimento Psicossocial, o CAPS, da Secretaria de Saúde, recomendam famílias ou dependentes a procuraram o Natera.

Ali, a equipe do Núcleo ouve as pessoas com problemas e imediatamente aciona outras instituições, se for o caso, entre elas os abrigos especiais de passagem. E até cartórios, se preciso, são consultados, quando é o caso em que o dependente químico é originário das ruas e não tem documentos pessoais.

Nesse último caso, além da Unidade de Acolhimento, que é um abrigo gerenciado pelo governo do estado na zona rural de Rio Branco, outras 13 residências terapêuticas recebem pacientes recomendados pelo Natera.

O que é curioso é que as ações coordenadas desde o Núcleo do MP valem até para os casos em que a vítima precisa do socorro do Samu, quando em convulsões graves, por exemplo, e que precisam da internação na Unidade de Acolhimento.

Outro fator importante é a participação maciça da família. Os dados de 2016 mostram que em 83% dos casos de dependentes atendidos pelo Núcleo, a família foi quem procurou ajuda. Apenas 3% deles procuraram espontaneamente. Sabe-se também que o Disque 100 é pouco conhecido ou ignorado, já que somente 1% recorreu a esse sistema.

“Trata-se de um serviço de grande demanda, mas estamos preparados para isso”, garante Bruna Oliveira, psicóloga do Natera. A especialista cita as palestras e os jogos educativos nas escolas como essenciais para a prevenção.

“Nestas atividades também é possível detectar quais crianças e adolescentes estão usando entorpecentes”, explica a profissional.

Esse trabalho é feito nas edições do ‘MP na Comunidade’, programa que leva os serviços do Ministério Público aos bairros da capital e também para o interior do Acre.

O Núcleo do MP acreano é hoje um dos grandes debatedores da Reforma Psiquiátrica. Desde a promulgação da Lei 10.216, de 2001, a Lei Paulo Delgado, os estados brasileiros deveriam começar a transferir o foco do tratamento de doenças mentais, inclusive as causadas pelas drogas, para uma Rede de Atenção Psicossocial, estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos.

Por isso, o Hospital de Sanidade Mental do Acre, o Hosmac, deverá um dia fechar suas portas em detrimento do novo modelo. Mas muito já foi feito no Acre para que essa transição seja da melhor maneira possível.

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Samy Ron é um dos artistas que se unem em favor da pacificação nas comunidades

A arte dá o tom para quem resiste ao crime

No Acre, coletivos culturais ganham espaços nas mídias alternativas, por meio de ferramentas eficientes de alerta a jovens que ignoram o risco das drogas.

Garotos como o estudante Alessandro Santos, do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades, uma divisão da Educação estadual que desenvolve e estimula jovens com superdotação mental, fazem a diferença quando o assunto é comunicar. Suas poesias são sempre carregadas de avisos contra as mazelas da realidade das ruas. É um alerta para jovens descuidados com tudo ao seu redor.

No hip-hop, destaca-se o grupo Cobras Dance, liderado pelo cantor Samy Hemerson de Andrade, cujo nome artístico é Samy Ron. Com os amigos Neto e Delcimar, Samy costuma levar para o jovem da periferia, mensagens antiviolências e de cunho filosófico-comportamental, de modo a influenciar positivamente comunidades inteiras.

“Uma das abordagens mais claras é a de que o crime não compensa, que não é bom estar preso, e que a paz sempre deve prevalecer para que possamos seguir vivendo. A morte não nos interessa e como ela é o salário do pecado, recorremos a letras que mostram esta realidade”, explica Samy Ron.

A ideia é mostrar que o estilo ‘moleque doido’ não leva a nada porque, segundo a ideia do hip-hop, “tudo que vem fácil, vai igualmente fácil”.

E essa cultura de paz, não é só disseminada nos shows da banda em casas noturnas e em eventos culturais abertos, como também nas chamadas ‘rimas’, duelos em versos que são promovidos em tardes de sol em locais como o conjunto Tucumã, ou na Concha Acústica do Parque da Maternidade.

O Núcleo

O Natera foi criado pelo Ato 72 de 2 de junho de 2014, da Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público do Acre e instituído pela Lei Complementar 291, de 29 de dezembro de 2014.

Tem como objetivo a adoção de estratégias de prevenção ao consumo, de permitir o tratamento adequado a dependentes e usuários de drogas, a orientação aos familiares e àquelas pessoas atingidas pelo problema da dependência química e ainda é voltado também para os usuários de drogas relacionados ao sistema prisional.

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Última modificação emSegunda, 27 Março 2017 16:36

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