960x100 basa novo

OS INDICADORES PARA 2018

Nos últimos dois anos o primeiro artigo do novo ano abordou temas variados como forma de lembrar o passado recente e preparar as ações futuras. Assim, seguindo o costume praticado, vamos aos temas que deverão ficar na mente dos consumidores, investidores, empresários e de todos àqueles que cuidam de seu capital.

INFLAÇÃO: Em 30 de dezembro de 2016, o mercado por meio do Boletim Focus do Banco Central do Brasil (BCB) projetava inflação em 4,87% no final de 2017, ou seja, o IPCA ficaria acima da meta de 4,5% a.a. No Boletim Focus disponibilizado pelo BCB em sua página na internet (22/12/2017) o mercado projetou inflação de 2,78% em 2017, ou seja, abaixo do piso da meta que é de 3% a.a. Desde setembro do ano passado publicamos artigos onde abordamos o IPCA (inflação) e afirmamos que em 2017 o índice inflacionário terminaria abaixo do piso da meta (3% a.a.). Diversas casas bancárias nacionais e internacionais chegaram à conclusão tardia de que o IPCA ficará entre 2,8% e 2,9%. O IBGE divulgou em 21 de dezembro passado o IPCA-15, prévia do IPCA, onde encontrou inflação de 2,94% em 2017. Como a diferença entre os IPCAs não destoam muito, é provável que o índice oficial de inflação fique entre 2,7% e 2,8% para 2017.

CÂMBIO: Utilizando os mesmos instrumentos acima (Boletins Focus de 30/12/2016 e 22/12/2017 do BCB) encontramos o dólar cotado em R$3,48 (dezembro 2016) e de R$3,30 em dezembro 2017. O dólar fechou em 29/12/2017 a R$3,30 conforme página do BCB na internet.

JUROS (SELIC): Em Dezembro de 2016 o mercado projetava SELIC em 10,25%, terminamos com 7% a.a.

Conforme podemos visualizar das projeções do mercado, os indicadores finais não corresponderam ao acontecido e nem ao que os "players" do mercado imaginavam em 2016 para o final de 2017. O mercado é sentimental e a visão de 2016 para 2017 levou isso em conta. O mesmo ocorre agora para o fim de 2018. O Boletim Focus (22/12/2017) estipula Inflação em 3,96%, Câmbio em R$3,32 e Juros em 6,75%, mas tudo pode mudar.

A inflação pode sofrer um revés se o consumo ultrapassar a capacidade ociosa da indústria. O câmbio (dólar) pode valorizar se os US$400 bilhões de dólares estimados pelo mercado financeiro americano voltarem aos Estados Unidos aproveitando a redução da alíquota do imposto de renda pelo governo Trump. Já a SELIC sofrerá com as reformas ainda pendentes do governo Temer, e, em sendo aprovadas (Previdência, Tributária e Política), a tendência é de redução, caso contrário, será um samba sem sentido e o caos econômico poderá voltar.

O mercado erra em suas projeções. A vida financeira, pelo menos a especulativa, é sem razão e depende de fatores não ligados ao mercado em si, mas que possui muita dependência da política de Brasília. Se continuarmos com a desordem por lá, preparem-se para turbulências no voo que estamos fazendo rumo ao desenvolvimento. Seguir observando o que acontece em Brasília deve ser o norte na alocação do capital e das economias. O importante é não acompanhar a manada que mostra um produto financeiro como a salvação da lavoura. Já dizia Harry Max Markowitz: "Não coloque todos os ovos na mesma cesta." A diversificação deve nortear seus investimentos em 2018.

Marco Antonio Mourão de Oliveira, 41, é advogado, especialista em Direito Tributário pela Universidade de Uberaba-MG e Finanças pela Fundação Dom Cabral-MG.

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

voltar ao topo