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Futuro incerto

O país acorda ontem (18) sem saber qual será o seu futuro. Nenhuma avaliação do atual cenário político pode prever qualquer caminho a que a política pode levar os brasileiros depois que os empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, gravaram o presidente Michel Temer orientando o pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso pela Operação Lava Jato, para evitar uma delação do ex-parlamentar e aliado do presidente até ir em cana a pedido do juiz Sérgio Moro.

O Congresso Nacional tem uma pauta tão extensa quanto polêmica de reformas como a da Previdência, a trabalhista, a que define um novo modelo eleitoral e a tributária.

Todas em andamento acelerado a pedido do Palácio do Planalto e do próprio Temer. Temas tão fundamentais para a sociedade brasileira estão sendo debatidos e votados em um clima de desconfiança generalizado, com mais de 100 parlamentares investigados, processados e até réus no Supremo Tribunal Federal tratando do futuro das empresas, de produtores rurais de todos os tamanhos e de cada cidadão.

Quem esperava que, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a posse de Temer, o país poderia encontrar um caminho com um mínimo de organização, decepcionou-se. A notícia divulgada pelo jornalista Lauro Jardim com as gravações de Temer e o pedido de propina de R$ 2 milhões feito pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) – este também gravado pelos dois irmãos empresários, – revolta e, ao mesmo tempo, pode empurrar o país para uma depressão política, já que a constatação da sociedade é a de que está tudo contaminado pela corrupção, com raras exceções.

Como chegaremos às eleições gerais marcadas para 2018? Esta pergunta eu tenho feito a quase todos os parlamentares nos últimos meses. As respostas sempre foram parecidas, mas todas apontavam para a dependência da situação econômica, das investigações e do julgamento da Lava Jato, tanto na primeira instância quanto no STF.

Quase todos davam como certa a ginástica jurídica prevista do Tribunal Superior Eleitoral para condenar Dilma Rousseff e absolver Temer de crime eleitoral, para que não houvesse mais turbulências políticas que inviabilizassem o funcionamento do país.

Até pré-candidatos à Presidência da República já faziam campanhas e institutos realizavam pesquisas. Mas nenhuma resposta sobre as próximas eleições imaginava que ainda havia fundo na crise política. A mesma pergunta feita hoje, após esse novo escândalo, fica sem resposta.

Leonel Rocha é colunista do site Congresso em Foco

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